Poemizando!
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Haicais
Tarde de verão
—
O som também se recolhe
no jardim do claustro.
Quadros na parede —
Douram-se ao sol de verão
os meus ancestrais.
Tarde de Ano Novo —
A avó ri com as fotos
de velhos bebês.
Primeiro dia do ano.
Nos olhos de minha filha
as velhas lágrimas...
O vôo final —
Pousa o biquinho na terra
o João-de-barro.
Tarde no subúrbio —
Refogado de cebolas
na brisa que sopra.
Noite de inverno—
O casal lava em silêncio
a louça do jantar.
Mercado de flores —
De branco como os crisântemos,
a prostituta.
Inverno avançado –
Recolhe as migalhas da mesa
velha solitária.
No atracadouro,
as garças também aguardam
os barcos de pesca.
Na minha partida
em lugar de lenços brancos,
Cerejeira em flor.
Por do sol de inverno —
O vulto negro da ponte
nas águas douradas.
Floricultura —
Distante da terra natal,
as azaléias.
Lua de verão —
Vem se juntar a mim
o cão sonolento.
Varanda do rancho —
A moda de viola se perde
na noite quente.
Debaixo do alfeneiro
como as pétalas que caem:
um viajante.
Na casa vazia,
o canto do sabiá
em todos os cantos.
Primeira oração —
A família de mãos dadas
no virada do ano.
Imóvel no muro
a lagartixa também
observa a lua.
Companhia na cama —
A lua de primavera
entra pela janela.
Minha mãe recita
um poema de sua mãe —
Dia de Finados.
Trilha na mata —
Os dois amigos proseiam
em meio aos gorgeios.
Ponte sobre o lago —
Borboletas alçam vôo
para dar passagem.
Brisa na varanda –
A árvore da felicidade
move-se ao meu lado.
A mão do Insondável —
tantas são as folhas secas
e uma só se move.
Um rosário vivo —
As rosas de primavera
em torno da cruz.
Com atenção ouça,
como canta o sabiá
na manhã de hoje!
Talvez seja esse
o perfume do céu —
Flores de café.
Parto em viagem —
A rosa de primavera
balança no portão.
Na saleta branca
o ikebana se destaca —
Orquídea branca.
Abelhas no copo —
No olhar da menina
o pedido de ajuda.
Música suave —
O som da água gelada
que cai da barragem.
A serra de outono —
No início da descida
o casal se cala.
Flores do Alfeneiro —
Mesmo a três casas daqui
persiste o perfume.
Ah! esse perfume.
Ah! esse doce perfume —
Estrada de inverno —
Solitário, exatamente,
como anos atrás.
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