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Antigo Convento
A sala capitular
parece vazia.
°
Museu do Convento
Irmãs que se foram voltam
na voz da Irmãzinha.
°
Sábado.
Amargo no mais fundo de uma boca em mim
A minha névoa é espessa esta manhã
Pouco se vê do que se vê todas as
manhãs
A copa do alfeneiro, sanhaços esparsos.
Cachorros ladram numa distância que não
se calcula
Pertolonge
Ver. Ver é existir.
Resta para olhar, os restos de
construções anteriores
Jogados aqui e ali com o pó da espera
acumulado
Esperando ser de utilidade mesmo a
coisas inúteis.
Triste manhã em que o mundo
Volta ao estádio anterior ao Caos
Cheio de vazio, luminoso de escuridão.
°
por do sol na laguna
por onde os olhos voam
o coração estremece
luz refletida no óculos
vento nos cabelos
pele salmonada
salgada
frio
frio
lá longe onde as naus agora são
fantasmas na escuridão que chega
só o mar
marola
mar
além da laguna
(Cartagena de Índias, julho 2005)
°
tantas as minhas dúvidas...
e essa azaléia floresce
mais uma vez
°
Cheio de Deus
A iluminação presente
em minhas palavras.
±
dançarino de butô
nas mulheres da sala
os olhos secos
±
-
Montinho!...Montinho!
As filhas
crescidas
resolvem
fazer de minha cama
novamente um
ninho.
±
a juventude desses olhos
mostra-me que, a cada ano,
±
Família em viagem —
Hóspede não convidado,
O silêncio profundo.
±
Floresta da Tijuca —
Para chegar ao Cristo,
curvas acentuadas.
±
bebia
e, embora cego
via
±
uma gota de azeite
na água cristalina
sempre fui assim...
±
você sangue italiano alemão
negro português abriu os
olhos
no prédio de tijolos vermelhos ingleses
no bairro quatrocentão
da paulicéia Higienópolis
acompanhavas o cair
das águas de março
quando fechavam o verão
e teu nome veio
do mesmo Tom
mas de outra música Ligia
fui sou maestro da música
da tua vida
que a cada dia
toca mais sozinha
elétrica inconformista alegre
vivandante
Ah, filha dos cabelos castanhos
que sonhava ter
quando via a celta
de cabelos longos castanhos brilhantes
Patrícia Joan Cleveley na faculdade...
±
mirando o espelho
restos de juventude
circundam
o batom vermelho
±
numa
biografia
toda
vida
sentido
irradia
±
em
qualquer pára-brisa
o
inseto espatifa
bem
onde o olho divisa
±
Praça
da liberdade
dentro
| a |grade|
±
sempre trabalhei com
números
num número inúmero
nunca gostei de números
sou o novisfora
na equação de todo dia
sigo eu-letra
vadiando entre os numerais
variando...variando...
±
Estação de caça –
policial maneja o rifle
na calçada.
±
Minha filha e eu
juntos em silêncio –
chove...chove...chove...
±
sua mente era só uma viagem só
e seu corpo a seguia
a coca
volitava de sua beleza
envelhecida
como pó
de
pir-lim-pim-pim
±
há dias
que o amor
adias
±
(Lapidada
pelo amigo
Silas Oliveira Granjo)
Vejo teu rosto atento em contraluz
Cantando a melodia que à memória
Que em concentrado empenho te conduz.
Busco nas veias gravar tua infância:
Essa alegria casta do olhar
O timbre suave e simples do falar
E dos cabelos a pura fragrância.
– Não cresças! Diz o espírito apreensivo.
Contra o vetor próprio da vida e planos
Quero-te dando beijos que não pecam!
Teus poucos anos, único motivo
Para que lide com meus muitos anos;
Quando sorris, há lágrimas que secam...
²
Anjo
Encarnado
A Louise
Quando uma percepção inesperada
Mediante segredo que o
tempo opera
Permite a uma luz sutil e enviesada
De um dia manso de
Primavera,
Tocar seu rosto infantil e delicado
E refletir-te nos paternos
olhos meus,
O céu se conjuga ao secularizado,
E por um instante, vejo
Deus!
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